E a viagem começava na Praça Mauá.

Hoje quando vamos ao Rio de Janeiro e desembarcamos na modernizada e mais aprazível Rodoviária Novo Rio quase nos esquecemos que nem tudo sempre foi assim. Recentemente tínhamos um terminal decadente, sem conforto ou ar refrigerado no 2º piso. Um local também muito mais inseguro que ainda é nos dias de hoje. Hoje, o terminal rodoviário Novo Rio, localizado no bairro do Santo Cristo, logo na chegada à região central da cidade, possui lojas de marcas conhecidas, praça de alimentação com opções para diversos gostos, banheiros limpos, paineis informativos e livraria. Afinal, ali em seu entorno estará até 2016 instalado o Porto Maravilha, região abandonada que será revitalizada e redimensionada. Independente da discussão sobre a transferência do terminal para o bairro do Irajá, na Zona Norte, verdade é que pelo andar das obras percebemos também uma ampliação do pátio do lado do desembarque. Seria uma ampliação do terminal? Uma integração com outros modais e sistemas? (veja mais em matéria no nosso site – (https://tere-bus.com/2012/10/29/porto-maravilha-e-os-onibus/), em matéria de nosso colaborador textual, Sr. Fernando Luiz.

O terminal ocupa, hoje, uma área de cerca de 28 000 metros quadrados (considerando o edifício-garagem) e conta com 1 300 colaboradores trabalhando nas diversas frentes de serviços em atendimento ao usuário, sendo 310 atuando nas áreas operacional, administrativa e de segurança.

Pela rodoviária Novo Rio, inaugurada em 1965, pelo Governador da Guanabara, Sr, Carlos Lacerda, circulam, em dias normais, cerca de 50 mil pessoas, recebendo aproximadamente, por mês, 1 milhão de passageiros.

E antes da Novo Rio? De onde partiam os ônibus para Teresópolis, por exemplo? Sim, acertou quem disse do terminal da Praça Mauá. Mas, mais certo é quem bradou “Terminal Mariano Procópio”.

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Mesmo quando já uma metrópole nos anos 30 e 40 se pegava os ônibus intermunicipais e interestaduais no meio da rua, normalmente na região da Praça Mauá.

Com a melhoria das estradas, e o aumento das ligações por ônibus, ainda numa época que os trens transportando passageiros existiam e eram os mais utilizados, a situação começou a ficar insustentável e a cidade precisava de um bom terminal de ônibus. Idos de 1945 e o caos reinava na Praça Mauá, quando o Touring Club começou a ventilar os primeiros esboços de um terminal de ônibus, o que foi aceito de pronto pelos administradores públicos.

Em 1950 foi inaugurada a pioneira rodoviária do país, aproveitando-se do térreo e da sobreloja do recém inaugurado prédio da polícia Marítima, localizado entre o velho prédio da Superintendência Portuária, e o prédio da Imprensa Nacional ( hoje ocupado pela Polícia Federal).

As obras foram custeadas pelo governo federal que também construiu o prédio, mas a administração era do Touring, que também administrava do outro lado da Av. Rodrigues Alves, o terminal de Passageiros do Porto.

Mas o terminal já nasceu sobrecarregado, pois de 1945 à 1950 o movimento de linhas e passageiros DOBROU e a rodoviária com plataformas para apenas 20 ônibus simultâneos já nasceu no limite de operação, fato que numa época romântica não tirou o seu sucesso, o restaurante operado pelo Touring na sobreloja teve nos anos 50 dias de glória como um ponto chique.

Mas no inícios dos anos 60, com a acentuada destruição das ferrovias e o surto rodoviarista do país a velha rodoviária Mariano Procópio entrou em colapso, ônibus esperavam estacionados pelas ruas da região atravancando o transito, que ainda era mais complicado pela transferência de pontos finais de várias linhas de ônibus para cidades dormitório do vizinho Estado do Rio de Janeiro para o entorno do prédio da Imprensa Nacional. Teresópolis vivia momento de explosão de veranistas e visitantes ocasionais. Com a inauguração da estrada direta, a BR -4, hoje BR 116, ligando a capital federal, à época, à cidade do Dedo de Deus, e com a triste desativação definitiva da Estrada de Ferro Therezopolis, em março de 1957, Teresópolis teve um boom de visitantes e consequente o maior crescimento populacional já registrado em sua história, ocasionando a ocupação de áreas de mata e de beira de rios, iniciando um problema que será tema de outra matéria em nossa site, vindoura.

No terminal da Praça Mauá, os passageiros se acotovelavam nas estreitas plataformas, voltando a situação a ser insustentável. Na época já sob a administração do Estado da Guanabara, em 1971, foi construída provisoriamente a Rodoviária Novo Rio no encontro das Avenidas Rodrigues Alves e Francisco Bicalho, um paliativo para durar no máximo 20 anos, e que já dura há 40 com sérios problemas operacionais.

Com o fim das operações interestaduais, a rodoviária foi encampada pelo Estado da  Guanabara. Então o mesmo começou a ser utilizado apenas para ônibus com destino a municípios próximos do então Estado do Rio, como Teresópolis, servindo por fim, apenas às linhas que atendiam à região metropolitana apenas, sendo totalmente desativada em julho de 2011, para as obras do Porto Maravilha (matéria de O Globo sobre a desativação do terminal em (http://oglobo.globo.com/transito/terminal-de-onibus-da-praca-maua-sera-desativado-nesta-segunda-confira-as-mudancas-2715702)

Na foto vemos a movimentação da Rodoviária Mariano Procópio no final dos anos 50.Imagem

 

 

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