BIOMETRIA NÃO PODE SER UM MAL NECESSÁRIO

Biometria: Precisa ser um mal necessário?

O tema:

Há pouco tempo, as Viações Dedo de Deus e Primeiro de Março, de Teresópolis, adotaram o sistema de Biometria Digital, no qual consiste na identificação da digital dos usuários de gratuidade do município, quais sejam, por exemplo, os estudantes da rede municipal, idosos e portadores de necessidades especiais.

 

Um pouco sobre a biometria:

A Biometria é uma das mais avançadas tecnologias de segurança mundial. Tem como característica a utilização de medidas físicas ou comportamentais exclusivas. Em bancos, como o Bradesco, por exemplo, já se utiliza a palma da mão, que funciona como um scanner que captura a imagem do padrão vascular e serve como autenticação toda vez que você utilizar a máquina de autoatendimento. Sim, isso assegura a confiabilidade do sistema, para todos os atores envolvidos. A Caixa Econômica já também em vias de implantar sistema semelhante, visando coibir as fraudes no recebimento dos benefícios sociais por ela administrados.

Do sistema biométrico espera-se o aumento da segurança dos sistemas, já que os recursos dos mesmos são acessíveis apenas a usuários autorizados. Tem-se ainda, o aumento da conveniência e da usabilidade, provendo os usuários de um atendimento mais célere e seguro e a redução de custos e o combate à fraude, visto que a autenticação via biometria impede que uma pessoa se passe por outra reduzindo as fraudes ocorridas, por exemplo, no sistema de transporte coletivo. Neste tocante, sem dúvida, para o empresário e até para o usuário, a questão da identificação negativa, ou seja, a possibilidade de através da biometria determinar se uma pessoa já está cadastrada no sistema usando outro nome qualquer, traz um horizonte de maior segurança.

Mas também é certo que estamos falando de um panorama ideal, onde o sistema funciona, as pessoas entendem o seu funcionamento e seus fundamentos e todas as partes envolvidas estão comprometidas com o principal, o atendimento ao usuário do sistema. Sim, mais do que as necessárias ferramentas de controle do empresário ou do poder público, se existentes quanto a esse último ator, é a excelência no atendimento ao usuário.

Em Teresópolis temos alguns pontos a observar quanto à implantação da biometria nos coletivos das empresas acima mencionadas. Vem até o TEREBUS, através de nossos canais de comunicação, através de nossos parentes e amigos, assim como por nós mesmos, usuários do sistema, notícias de grande insatisfação com os reflexos da referida implantação. A mesma se dá não por existir posições técnicas quanto à eventual ineficácia da biometria, já mostrada eficaz em diversos setores, mas pelo modus operandi de sua implantação. Sim, óbvio, não poderia ser de outra forma, que não dentro do próprio sistema de operação das linhas de ônibus, mas é preciso estar atento em algumas questões. A grande população de idosos da cidade. A extensa faixa estatística de pessoas idosas, ou beneficiadas com outro tipo de gratuidade que exercem ou exerceram durante sua vida atividades laborais manuais como por exemplo, os trabalhadores rurais, o que traz uma perda parcial ou total das suas digitais, tema, inclusive da REDE DE ESTUDOS RURAIS, melhor visualizado em www.redesrurais.org.br/sites/…/files/VIRAR%20SEM%20TERRA.pdf. Temos ainda os eventuais portadores da Síndrome de Nagali, quando se tem ausência das digitais.

 

Hoje, temos vários ônibus já funcionando com o sistema biométrico em diversos cantos do município.

 

Fato que toda mudança gera desconforto, mesmo que seu horizonte seja linear e eficaz.

Fato também que a biometria veio para ficar, pois a modernidade assim exige, principalmente quanto aos sistemas gerencias de controle.

Fato também que o descontentamento não se dá apenas pelo desconhecimento da população quanto ao sistema como um todo e sua forma de implantação.

 

Não se pode negar que o momento não é dos melhores para a relação usuário-empresas de ônibus, tendo em vista o pedido de aumento da tarifa para R$ 3,77, o que para o bolso da população é demanda colossal, e o sistema de interligação entre os cantos da cidade e o Centro estar defasado e antiquado, temas trabalhados em matéria de nosso site (veja mais em https://tere-bus.com/2013/01/05/o-aumento-da-passagem-de-onibus-em-teresopolis-rj/). As pessoas confundem as coisas e miram onde não deveriam mirar. Mas não discutimos aqui a posição combativa do usuário, maior prejudicado de um sistema ruim e maior beneficiado, caso o sistema seja o melhor. Entramos nessa discussão para mostrar que o problema existe. Não se trata apenas de respingos dessa ou daquela outra questão. Há viagens em atrasos, como por exemplo na linha 15A, onde nesta semana o carro que atende à linha ficou 20 minutos parados no 2º ponto da descida para a Rodoviária, pela manhã. Prejuízo para a empresa e para o usuário. Isso pode custar caro ao passageiro, pode custar seu horário no médico, seu horário de agendamento num banco ou na receita federal, pode prejudicar o trabalhador que, com o atraso anotado na folha de frequência perde a cesta básica. Imaginem que, tudo bem, aquele jovem que está indo para o trabalho, hipoteticamente nesta viagem citada por nós, desça do ônibus, corre até a Av. Presidente Roosevelt e, se tiver sorte e não tiver nenhum problema de leitura biométrica em outro carro que possa vir a pegar, conseguirá, talvez, chegar a tempo em seu trabalho. Mas, desde que tenha sorte e tenha o valor para pagar outra passagem. Na linha 28, não lembro se A ou Z, no horário de 08:30h, que sai da Rua Guandú, os atrasos tem sido constantes, citando aqui reclamação quanto aos pontos do colégio Beatriz Silva e Praça Maria Corina, onde há grande fluxo de passageiros embarcando naquele horário. O que as pessoas estão fazendo? Saindo mais cedo de casa, em horários até meia hora mais cedo, quando há essa opção. Recentemente fui abordado na rua por um conhecido que me disse que prefere vir a pé da Barra para a Várzea, pois gasta em média 25 minutos. Perde o usuário, perde a empresa. Os motoristas e cobradores ficam de mãos atadas. A confusão, o estresse se estabelece e, independente de misturar questões, o usuário quer apenas chegar ao seu destino, no horário programado. Ou então, não haja mais programação. Não se estabeleça horários. Aqui também, sejamos honestos, pois desconhecemos as orientações do Operacional das empresas de ônibus. Gostaríamos que as mesmas fossem de conhecimento geral, até para próprio benefício das empresas, sempre vistas, em várias ocasiões de forma injusta, como as vilãs do transporte coletivo na cidade.

 

Observando esse panorama trazemos os seguintes questionamentos:

– Se necessário o sistema de Biometria, mesmo tendo havido outro no qual utilizava-se o reconhecimento do documento de identidade apresentando o cartão à câmera, de certa forma mais ágil, porque não implantá-lo em apenas algumas linhas de início e em alguns horários, observando-se in loco, sua implantação e os problemas apresentados? Porque não, caso fosse essa a opção trabalhada pela empresa, realizar um trabalho de divulgação naquelas comunidades onde o sistema seria implantado? Do ponto de vista de marketing a ideia é positiva, pois faria com que as pessoas conhecessem o sistema, se familiarizassem antes mesmo do sistema ser usado. As pessoas ficariam mais ao lado da ideia da biometria;

– É permitida ao cobrador ou ao motorista alguma manobra para os casos em que não correto funcionamento do sistema?

 

– As empresas estão enxergando que as viagens estão menos ágeis e, inclusive, perdendo usuários que em percursos menos longos estão preferindo ir de “Viação Canela”, como popularmente se conhece a marcha a pé?

 

– Que alguns usuários que deixavam o carro em casa para irem de ônibus para o trabalho estão descontentes com os constantes atrasos e estão utilizando de seus veículos particulares para os seus deslocamentos? Isso, sem dúvida, traz malefícios ao trânsito já complicado de nossa cidade, motivado também por um sistema de interligação dos bairros defasado, e à natureza, pois aumenta-se o depósito de CO2 na atmosfera;

 

– E quando o ano letivo iniciar?

 
Não queremos aqui polemizar com qualquer dos atores citados acima. Queremos soluções para os problemas apresentados quanto à Biometria. Os usuários por vezes confundem todos os problemas sim, mas este em específico existe e já foi presenciado por nós, membros do TEREBUS em algumas linhas. Que toda mudança gera desconforto não há dúvida. Então que exista ou que se transforme a estratégia de marketing. Entendemos que não temos como fugir da modernidade e não seremos nós a dizer ao empresário para que o mesmo deixe de utilizar a ferramenta de controle que melhor lhe convier. Sim, a Biometria chegou para ficar. Agora, o usuário quer chegar ao seu destino, não quer perder seu benefício no empregador, não quer perder seu emprego, não quer perder seu compromisso. Alguma coisa precisa ser feita e acima, algumas sugestões foram tratadas.

Agora, mais uma vez percebemos a falta de um ator em toda esta história. O poder concedente ou permissionário, no caso de Teresópolis. Onde a prefeitura municipal? Onde o corpo dos vereadores, legisladores e representantes das comunidades, principalmente aqueles que se fecharam em um grupo uníssono junto ao comandante do executivo em preocupante reunião que lhes pode causar a dependência dos poderes? Esse senhores tem ideias para solucionar o problema do trânsito em nossa cidade? Já pensaram no legado a ser criado com mudanças no sistema de transporte coletivo? Que uma dessas mudanças é a Biometria, no caso, mais benéfica ao empresário, sem deixar de sê-la para o usuário? Algum dos edis radicados na região da Barra do Imbuí, se dispõe a pegar o carro das 08:30h da linha 28, no colégio Beatriz Silva e conhecer o problema in loco? Temos uma secretaria de transportes, ligadas à Segurança Pública, não temos? Onde ela? Onde a imprensa diária e semanal desta cidade? O empresário está atento aos problemas, sabemos disso. Mas quais soluções estão sendo pensadas, não só para a efetivação dos resultados por ele esperados, mas para o público que utiliza seus serviços?

usuário – anote estes telefones:

FETRANSPOR – 0800 886 1000

OUVIDORIA PREFEITURA DE TERESÓPOLIS – 2742-8761 / 2742-5074

E-mail: ouvidoria@teresopolis.rj.gov.br 

VIAÇÃO DEDO DE DEUS E 1º DE MARÇO – 2743-5552

Com a palavra, todos vocês.

 

 

Ideia por Johnathan de Oliveira

Texto por Fernando Luiz

 

 

5 Respostas para “BIOMETRIA NÃO PODE SER UM MAL NECESSÁRIO

  1. Amigos, fica a dúvida: o Passageiro é obrigado a usar o dedão? Pq não acredito que a Lei diga que o cara é obrigado a botar o dedo para rodar a rolete, possuindo um Cartão(magnético) para passagens ou mesmo sua RG (valida em território e com Fé publica) para comprovar direito ao transporte gratuito.
    Se o Velhinho tem RG por si só já lhe garante o direito, mas por questão de ordem pública convencionaram o uso do cartão até como forma de mensurar io quantitativo de gratuidades.
    Poderiam começar pelos passes especiais e depois chegar os da 3ª e 4ª idades. Lpá no Rio tem fraudes descaradas com os Passes Especiais, inclusive com aqueles que libera Duas(02) passagens, para doentes e acompanhantes- Mas isso merecia outro post e em grupos do Grande Rio.

    • a Lei diz prova de identidade, o que se dá pela carteirinha.Mas é o que sempre questiono, cade o órgão regulador que não temos?

      Fernando Luiz

  2. Vivendo e (ainda) aprendendo… Confesso que desconhecia os detalhes desse sistema de identificação biométrica implantado nos ônibus da cidade, e sob esse aspecto o artigo é bem elucidativo. Problemas como os da dificuldade de identificação deveriam estar previstos, e os encarregados da coleta supridos de alguma opção prática para superar os entraves apontados, mas como não sou usuário contumaz do transporte público não tenho como opinar ou sugerir. Apenas, aplaudir o texto pela clareza e objetividade com que expõe o cenário, até certo ponto preocupante para significativa parcela da população.

  3. Belo texto !
    Mas só uma dúvida (que eu acho que estava confundindo as coisas):
    Aí em Teresópolis o sistema de biometria utilizado é o digital (com o dedo polegar) ?
    Porque antes eu achei que fosse biometria facial, como está sendo implantado aqui na Região dos Lagos, pela Salineira,cuja possui agora a mesma direção que a Viação Dedo de Deus segundo informações. Aqui o aparelho fotografará o passageiro e mandará a foto para a Central, que irá conferir com a foto do cadastro (cartão) do passageiro para verificar a autenticidade da identidade do mesmo.

    • Patrick, foi tentada a implementação, em Teresópolis, do sistema de biometria digital que prevê o uso não dos polegares, mas sim dos oito dedos restantes. Porém a implementação do mesmo gerou muita polêmica, culminando com a suspensão da biometria para os idosos. Estudantes e portadores de passes especiais terão de passar pelo aparelho biométrico, que se bem programado (entenda-se não atrasando as passagens por erro de leitura) é um instrumento extremamente eficaz no combate a fraudes.

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